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Ecologia e Autogestão

 

 

Emprego ou trabalho?
ou A Segurança da Escravidão 
por Marilda Marinho
com colaboração de André Dib
Foto: Andre Dib

O avanço tecnológico advindo da revolução industrial está caminhando de maneira inversamente proporcional ao desenvolvimento das relações entre as pessoas. Enquanto o homem cientista vai à lua, o homem-comum ainda arrasta sua mulher pelos cabelos.

As ciências humanas vêm caminhando a passos curtos, e mesmo assim, o que testemunhamos é que, por mais complicadas que estamos sentindo as relações interpessoais, o processo de conscientização nunca foi maior que o pouco que temos em nosso tempo.

E assim como hoje, em todos os momentos históricos existiram meios lucrativos ou exploratórios. Mas quem se beneficia realmente com a distância cada vez maior das pessoas do contato com elas mesmas, ou seja, do contato natural com seus próprios sentimentos? Se você não sabe o que fazer com o seu aqui-agora, alguém sabe: seu patrão, seu líder religioso, seus pais.

Tudo em volta conspira para esse bloqueio afetivo, uma correnteza difícil de contrariar. Parece absurdo pensar que quando abraço um amigo, ou brinco com meus filhos, ou beijo alguém a quem desejo sensualmente, estou fazendo um movimento que pode por em risco a vida no planeta. Que não só posso estar comprometendo a qualidade de vida neste, bem como a própria existência de vida no mesmo.

Na busca de alternativas por uma postura diante da vida comprometida com o que pode ser verdadeiro, honesto, simples e humilde, esbarramos com instituições (de saúde educação, cultura, familiar, religiosas...) que ditam o "certo e o errado", ignorando o referencial relativo da tais valores, ou exercendo prática manipulatória do mesmo.

A luta pela sobrevivência ignora a luta pelo que há de vivo em nossa existência. Ao procurar ser sincera em minhas relações interpessoais, eu evito que as pessoas fiquem confusas a respeito da práxis em minha vida. No entanto, tal prática é muito arriscada.

Ser sincera pode provocar inveja, ciúme, medos os mais variados, pois não aprendemos a lidar com a originalidade e espontaneidade do outro, e nem de nós mesmos.

Wilhelm Reich inicia seu "Assassinato de Cristo" citando Rousseau. Aqui encerro com ele, como reflexão: "O homem nasce livre e por todo o lado ele está acorrentado. Mesmo quem se crê senhor dos outros; esse ainda é mais escravo do que eles. Como se faz essa tranformação?"