Justificativa
Autogestão,
auto-regulação, produção coletiva,
ecologia social. Cuidar de si é cuidar do meio ambiente.
A forma básica de fazer política é praticar no cotidiano
das micro relações. Olhar melhor pra família,
vizinhos, trabalho. Colocar a utopia na prática, em grupo,
aqui e agora.
As
relações humanas estão abandonadas.
E quem vai abrir os olhos para isso? Enquanto isso, aumenta
o lixo, mendigos, violência. Engano é pensar que
essa miséria está lá fora. Ela está
dentro de quem permite tudo isso: cada um de nós...
Partimos
do princípio de que "o meio ambiente começa no corpo da
gente"*. Queremos contrariar uma lógica que anestesia, que
bloqueia os sentidos. "Não falo, não
olho, não escuto - principalmente a mim mesmo",
eis o homem comum, o zé-ninguém, responsável
pela própria miséria afetiva-social-ecológica
em que vive.

Como
foi a oficina?
Nos
propomos então a colocar em prática uma construção
coletiva com um grupo de 15 pessoas, que estejam interessadas
nos temas acima e dispostas a trocar experiências. O método
consiste em dinâmicas corporais em grupo e mostra de vídeos.
As
práticas corporais foram baseadas em técnicas bioenergéticas
desenvolvidas pela Somaterapia de Roberto Freire. Ela tem
como base a bioenergética de W. Reich, a ideologia anarquista
como proposta política social e a Capoeira Angola como expressão
lúdica e de resistência tipicamente brasileira. Atualmente
ela é praticada pelo Coletivo
Anarquista Brancaleone e por uma nova vertente, a Somaiê
de Rui Takeguma. Após cada prática, foi feita uma roda
em grupo, onde cada um recebeu e fez leituras de si e dos
outros.
Os
vídeos foram dois: "Ilha das Flores" e "AIDS: Boas Notícias",
ambos sobre meio ambiente, saúde e miséria social, com o
objetivo de incentivar a reflexão e discussão destes dois
assuntos, básicos dentro da oficina.
*Nome
de campanha ecológica da Ong FASE-NE em 2001